A evasão nos cursos de computação

Saiu um estudo mostrando que a evasão nos cursos de computação é alta. É por isso que me dedico a pesquisar na área de Informática na Educação, em especial como o erro escolar é visto e tratado pelos professores e colegas dentro da Universidade.

Computação é o que mais sofre evasão em universidades públicas e privadas.

Computação é o que mais sofre evasão em universidades públicas e privadas.

Ela também afeta de modo preocupante o ensino superior, como mostra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)

Fonte: www.cbsi.net.br/2018/02/curso-de-computacao-e-um-dos-que-mais.html

Errar faz parte do processo de ensino e aprendizagem.  Tem gente que culpa o aluno que tem preguiça de aprender, mas não é só isso. O sistema educacional, posto assim há décadas, não evolui absolutamente nada, de modo que o erro continua sendo visto como um atestado de incompetência, desestimulando o aluno e contribuindo para a estatística.

Há quem defenda a formação tecnicista, que eu respeito, mas discordo. Sou um educador que vê, antes de qualquer coisa, um ser humano, que erra, que tenta novamente, que pode ser incentivado, que acerta, que progride e constrói, junto com professores e colegas, sua formação. Também há os que defendam que a computação deveria se restringir a cursos técnicos, o que eu discordo por considerar que há uma necessidade em se aprofundar nas questões teóricas da computação que um curso técnico não daria conta.

A questão é que, independentemente do curso ser superior ou técnico, o que eu questiono é a postura do docente. Tive professores “sádicos”, cujo comportamento deveria estar longe das salas de aula. Cria-se uma expectativa infundada de que o o aluno deve entrar na graduação com pre-requisitos, o que não é verdade em grande parte dos casos. A falta de uma formação mais sólida em conceitos de matemática e lógica durante o ensino médio também contribui para isso. Só que lá, no ensino médio, a história se repete. Há um comportamento doentio entre colegas e professores em considerar aquele que erra, um incapaz.

Nenhum pai ou mãe xinga o filhinho de burro, que, ao tentar dar os primeiros passos, falha miseravelmente e cai. Pelo contrário, nós os incentivamos, e dizemos que é “caindo que se aprende a andar”. Já vi professores comentando ou fazendo expressões de reprovação, ao ver que um aluno não compreendeu determinado conceito. A última coisa que um aluno precisa na faculdade é mais uma reprovação, sobretudo do docente. Ele já sofreu a pressão no ensino médio, a pressão em estudar para o ENEM ou vestibular, a pressão dos amigos e da família. Ele está ali para aprender, não para ser julgado. Eu tive alunos que queriam desistir do curso, inclusive orientandos. Tornar a graduação menos traumática e mais prazerosa, compreender que o erro do aluno não é nada mais que um evento e que ele pode e deve ser utilizado como subsídio para retroalimentar sua prática docente, pode fazer uma grande diferença.

Vejam que eu não imputo, em nenhum momento, 100% da culpa das desistências e evasões, no professor. Eu só estou ponderando, ao ler a matéria e lembrar da minha área de pesquisa, que este é um dos motivos, que pode e deve ser minimizado. Há técnicas e ferramentas para isso, basta o professor deixar de se sentir um ser superior e lembrar que, em algum momento da vida, ele também já foi aluno e também errou.

Minha dissertação é totalmente sobre isso.
https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/49570?show=full

A enorme quantidade de sub-áreas da Computação

Quem tem formação na área da Computação sempre acaba ouvindo coisas de parentes e amigos, sobre “como que você, sendo da área, não tem conhecimento sobre tal assunto?”. Pois é, acontece que a Computação é uma área enorme, que abrange uma quantidade absurdamente ampla de sub-áreas. Ontem fui me cadastrar no INSTICC e precisei preencher quais eram minhas áreas de interesse. Lá no meio, eu marquei em vermelho qual é minha área de pesquisa. Creio que agora deu pra ter uma noção melhor da importância e abrangência da Computação na vida de todos.

New photo by Rui Ogawa / Google Photos

A escola e a saúde mental – não deveria ser assim

Estudar = Sofrer?

Eu insisto que esse assunto PRECISA ser debatido, desde o ensino médio até a pós-graduação. A pressão é exagerada, desnecessária e ridícula. A coisa começa quando o ensino médio está prestes a terminar, porque o aluno precisa estar preparado para o ENEM ou o vestibular né. Qual das duas opções acima é mais estressante para o candidato? O vestibular, além de ser um “matadouro”, acaba sendo muito mais excludente do que inclusivo. Ou seja, o candidato já vai com o pensamento “você tem que passar no vestibular”, como dizia Renato Russo.

Já o ENEM é um verdadeiro festival de pessoas desesperadas em não perder o horário e outras pessoas ridículas (incluindo a imprensa), publicando fotos e vídeos daqueles que não conseguiram entrar. O sadismo presente nesse tipo de “notícia” é deprimente. Tem veterano que chama os amigos, compra cerveja e fica apreciando a desgraça alheia. Nada mais me surpreende.

Tanto no caso do ENEM quanto do vestibular, cabe falar da exaustiva rotina de estudos preparatórios e da exarcebada pressão da família, dos amigos e do próprio candidato sobre a missão de ser bem sucedido nessa jornada. O importante é estudar muito, privar-se de atividades consideradas supérfluas. O convívio social e familiar é, muitas vezes, fortemente abalado.

Tente se lembrar de quantas pessoas você conhece que passaram por situações de extremo estresse, sentimento de incapacidade, levando um quadro de ansiedade e consequente depressão. Talvez você próprio tenha passado por isso. Bem, eu passei por isso, na pós gradução.

Em 2014 ingressei no mestrado e um grande amigo já dizia: “Rui, entrar no mestrado é fácil, difícil é sair”. No meu caso, não houve toda essa pressão citada anteriormente para o ingresso. A seleção foi tranquila e o início das atividades também. Os problemas começaram depois de um certo tempo.

Em uma disciplina o professor escrevia tanto na lousa em cada aula, que rendia em média 7 páginas no meu caderno. Até aí tudo bem, é comprovadamente benéfico, do ponto de vista cognitivo, anotar as aulas. O problema é que ele escrevia e apagava muito rápido. O outro problema é que tenho tendinite e eu saía literalmente quase chorando de dor após cada aula. Em certas ocasiões, percebíamos um certo sorriso sádico enquanto ele apagava e via que nem todos conseguiram copiar. Mas o pior vinha nas avaliações. Ele exigia que suas respostas fossem idênticas, palavra por palavra, ao que ele havia passado na lousa. Se você escrever um “a” diferente, ele já descontava ponto. Em uma avaliação eu fiquei por último na sala, ele se levanta e me diz: “acho que vou lhe dar mais um tempinho”. Eu até sorri, pensando no quanto eu havia me enganado sobre ele. “Você tem mais 10 segundos”. Gente, eu fervi por dentro, a vontade foi de fazer ele engolir a prova. Eu aprendi o conteúdo, mas reprovei na disciplina, porque eu não assimilei o método pedagógico (sic) dele. Pergunto, pra quê isso?

Com outro professor foi pior. Iniciamos a turma com 9 alunos e só um passou. Apesar de não haver nenhum estrangeiro na turma, ele fez questão de ministrar todas as aulas em inglês. E não não era aquele inglês pausado, preocupando-se se estávamos entendendo. Não. Parecia que era pra ferrar com nossa vida mesmo. Disciplina super pesada, complexa, com aulas em inglês. Durante uma apresentação, ele dizia que o código ficou ruim, que éramos muito ruins, que nem devíamos estar ali. Em outras aulas, ele ficava divagando, rolando a página do computador pra cima e pra baixo, sem que nós conseguíssemos acompanhar. Aquilo era extremamente irritante! Em outra ocasião, eu e um amigo ficamos estudando ate a madrugada para dar conta de um trabalho. No outro dia, obviamente estávamos com forte olheiras. Ao encontrá-lo no corredor, ele olha pro meu amigo e solta: “assim que eu gosto, cara de acabado!”. Cancelei a disciplina, pois entendo que não é correto me sujeito a esse tipo de humilhação, sobretudo na pós-graduação, o berço da comunidade científica. Pergunto novamente, pra quê isso?

Depois de cumpridos os créditos, muita gente pensa: “oba, terminei, agora é “só escrever”. É, eu também caí nessa. O sentimento de impotência diante do que deve ser feito, comparado com o que você já fez e os prazos, te levam a um estado emocional deplorável. Deu tudo certo, qualifiquei, defendi, tive artigo aprovado. Mas passei 6 meses na base do Rivotril. Mais uma vez, pra quê isso?

Como reflexão, deixo este vídeo de uma entrevista com o professor Robson Cruz, doutor em Psicologia pela UFMG e pós-doutor pela PUC-SP, sobre o assunto.

DigitalOcean + Docker + Traefik + Adminer

Eu fiquei um tempão sem Blog. Na verdade talvez mais de um ano. Pra ser sincero, nem lembro quanto tempo fiquei sem. Os últimos três anos no mestrado me tomaram todo o tempo. Tanto que eu esqueci de pagar meu domínio, ele foi suspenso e tive que comprar novamente. Ah, por falar em comprar domínio, comprei o meu avulso, sem hospedagem, na NameSilo. Mas sobre isso eu falo em outro post.

A questão é que minha hospedagem da WebLink também vai vencer este ano e eu não estava afim de renovar. Explico: é um plano compartilhado, com o basicão de LAMP. Eu to estudando Ruby on Rails e queria um lugar pra testar minhas coisas e, de repente, até colocar algo em produção. Cheguei a testar o OpenShift, da RedHat, mas o plano gratuito deles me pareceu instável e o pago, achei caro demais.

Lembrei do bom e velho Digital Ocean. Fui lá ver como estavam os valores e configurações e decidi me cadastrar. Na verdade eu já tinha cadastro, mas fazia tanto tempo que esqueci login, senha, tudo. Melhor fazer uma conta nova. Bem, aí vieram os problemas. Depois de pagar os 5 dólares e me cadastrar, ao logar na minha conta, o sistema dizia que estava efetuado verificação e com isso eu não conseguia criar meu Droplet.

Enviei um Tweet pro suporte, que me pediu pra enviar uma DM com o ticket. Bem, eu não tinha esse ticket. Depois de um tempão caiu a ficha que eu tinha que abrir um ticket novo. Questão de minutos depois já estava tudo funcionando. O suporte da DO é show!

No começo eu estava procurando algum CMS feito em Ruby, chegando a instalar e testar o Camaleon, mas com o WordPress tão consolidado e com tantos plugins e temas prontos e gratuitos, fui para o lado negro da força.

Os procedimentos que segui para subir esse ambiente são os descritos neste tutorial, intitulado How to Use Traefik as a Reverse Proxy for Docker Containers on Ubuntu 16.04.  Está em inglês, mas maravilhosamente bem explicado. Se você não conhece alguns dos componentes usados, vale a pena dar uma visitada nos sites dos projetos pra entender melhor.

Basicamente temos o seguinte:

  • Docker: conteinerização de aplicativos, permitindo você possa fazer o deploy de vários sistemas web no mesmo host, de forma muito rápida. Há conteiners prontos pra tudo o que você imaginar.
Diagrama de funcionamento do Docker
  • Traefik: é um proxy reverso voltado, mas não específico para Docker. Além de fazer o proxy reverso, recebendo chamadas externas e distribuindo entre as várias aplicações conteinerizadas no Docker, o Traefik também conta com um sistema de monitoramento.
Funcionamento do Traefik
  • Adminer: nada mais é do que um substituto ao PHPMyAdmin bem mais leve e cheio de recursos

De modo geral, estou bem satisfeito com a solução.