O Software é Livre, o trabalho não…

Você é médico? Alguém já te parou na rua, no supermercado, no corredor do seu trampo, dizendo assim…

– Sabe, to com uma dorzinha aqui. Começou do nada, aí veio pelo pescoço, se alastrou pelos ombros… Será que você podia dar uma olhadinha?

E você, caro advogado… Com certeza já te abordaram né?

– Olha, o lance é que o cara prometeu que ia pagar, mas não assinou nada. Mas eu to no direito né? Você poderia fazer um favorzinho?

E você, caro mecânico. Sai do cinema com a família e aquele camarada te aborda, gentilmente…

– Puts cara! Não tá pegando nem a pau! Velho, você sabe que só você mexe no meu carro né. Tem como dar uma mexidinha aí?

O legal é que tudo no diminutivo. Olhadinha, favorzinho, mexidinha…

Gente, na boa… o cara estudou, pagou caro (ou não, e isso não interessa) e essa é a sua profissão. Acredite, ele também tenta levar uma vida normal, sem ter que ficar pensando ou sendo forçado a pensar nas coisas do seu ofício quando não está na execução do mesmo.

Eu sou um profissional de TIC. Não é tic nervoso, ok? É Tecnologia da Informação e Comunicação. Chique? Não, é uma necessidade, é o que sei fazer e é o que gosto de fazer.

Mas saber fazer e gostar de fazer NÃO significa que eu faço de graça. Muito menos na rua, no mercado, na sala de espera do dentista e por aí vai…

Abandonei o curso de matemática na Unemat em 2004 (gratuito) para cursar Redes de Computadores (pago) na Unic. No meu caso, paguei caro SIM. Além disso soma-se as certificações, os cursos, congressos. Todos sabem que eu prego o livre conhecimento, mas por favor, não confundam LIVRE com GRATUITO.

Quando me refiro a livre, faço menção à liberdade, ao conhecimento aberto. Assistir o é gratuito, mas você considera isso conhecimento?

Além dos cursos que fiz, de onde vem meu conhecimento? De muita pesquisa e leitura! A Tecnologia da Informação é dinâmica, tanto que seu ciclo de defasagem é de cerca de 18 meses. Tem que ler muito mesmo…

– Ah Rui, mas você usa Software Livre e eu sei que você não paga por ele. Pago sim! Energia elétrica + Link de Internet + Provedor + Valor do meu notebook + CD-R + paciência para entender como tudo isso funciona.

Não tá afim de pagar? Entra no Google e se vira então… E agradeça por existir o Google! Quando comecei, não haviam mecanismos de indexação. A Intenet era o caos. Usávamos (com muito orgulho!) o navegador Netscape. Timidamente o Yahoo surgiu, depois Lycos, Altavista… A informação existia, mas procurá-la, organizá-la e digeri-la era terrível!

Para os saudosistas, olhem como eram algumas páginas no passado…

  • Yahoo em outubro de 1996
  • Lycos em outubro de 1996
  • Altavista em outubro de 1996
  • Google em novembro de 1998 – era um protótipo

Há um bom tempo que parei de fornecer suporte para o sistema? das janelas. O motivo é simples: é impossível fazer um bom serviço e dar garantias sobre um produto nem um pouco confiável. Eu tenho certeza absoluta que cedo ou tarde vai dar pau e o cara vai por a culpa em mim. Então, além de parar de usar drogas, não ofereço pra mais ninguém.

Aí começaram a aparecer pessoas interessadas em experimentar o Linux.

– Rui, instala o Linux pra mim? Claro, custa “tanto”.

– Ah, mas eu só queria testar! Ok, baixe um LIVE CD, grave e experimente!

Instalar e configurar finamente um SISTEMA OPERACIONAL LINUX é uma arte. Recentemente minha esposa encontrou o professor Fiorelo e este lhe disse que desde que eu instalei Linux pra ele, não precisou mais chamar o técnico. Detalhe, o técnico era eu.

Perdi um cliente? Claro que não! Eu o fidelizei, tenho certeza disso. Sempre que necessitar, solicitará meus préstimos. Da mesma forma cito o caso do professor Neto, que tem enormes dificuldades visuais, e o Linux está instalado tanto em seu desktop como no notebook. Faz mais de 3 anos que ele só usa Linux e está satisfeitíssimo!

O problema em nossa sociedade é a cultura do descartável. Não só de produtos, mas infelizmente de serviços. Pra que qualidade se posso fazer meia boca pra que ele chame novamente? Não fui criado assim. Cresci vendo meus pais, tios e avós priorizando a qualidade, mesmo que a um preço elevado. Vale a pena.

Tá, mas então porque me envolvo em projeto baseados no voluntariado, sem ganhar nada pra isso? Ganho sim! Experiência, conhecimento, divulgação, networking…

Acontece que o modelo de negócio do Software Livre não é o produto, é o serviço. Ou pode até ser o produto + serviço. Exemplo? Red Hat. Mesmo essa empresa compreende que o modelo de desenvolvimento distribuído e colaborativo é infinitamente superior ao modelo fechado. Tanto que ela apoia o projeto Fedora.

Quer entender melhor isso? Você pode pegar uma garrafa vazia, sair procurando uma mina d’água, enchê-la e voltar pra casa. De graça! Ou você pode ir no supermercado ao lado da sua casa e comprar água mineral. Pegou né?

Vamos analisar um cenário futuro e consequente. No dia 09/04/2011 Sinop será uma das sedes do FLISOL2011 – Festival Latino Americano de Instalação de Software Livre. Pessoas virão com seus notebooks, desktops e terão Software Livre instalados em seus computadores. De graça! Quanto vamos ganhar com isso? Muitas experiências, fortalecimento do networking, e troca de conhecimento.

Mas esse será um evento voltado à popularização do Software Livre. É o “empurrão” que você precisava para começar a usar, sem ter medo de detonar sua máquina. Afinal, haverá uma legião de nerds dispostos a te ajudar. Mas lembre-se, será naquele dia.

Se você quiser ou necessitar de suporte adicional após o evento, há duas opções:

  1. Cadastre-se nas listas e fóruns de discussões – é gratuito, geralmente tem gente disposta a ajudar e a atmosfera é agradável. Mas lembre-se, ninguém lá terá a obrigação de te responder, pois não estão recebendo nada para isso. Portanto, seja educado.
  2. Pague pelo suporte – há várias pessoas que usam e dominam Software Livre e estão disposto a te ajudar mediante pagamento. É um modelo de negócio justo e não muito diferente do praticado pelos usuário de software fechado. Ou você nunca chama “o cara da informática” e paga pra ele dar um geral no seu PC que pegou vírus?

Bem, pra finalizar quero dizer que eu sou uma dessas pessoas. Dos dois tipos. As vezes ajudo nas listas e fórums, as vezes cobro por um suporte personalizado.

Então, se você me parar e perguntar na rua ou durante o meu trabalho (o que é pior) como que faz pro seu vídeo funcionar redondo no Linux, provavelmente vou sugerir que procure no Google. Agora, se me perguntar se posso prestar um serviço e resolver o seu problemas, direi que SIM e combinaremos data, horário e valor. E como dizem, o combinado não é caro.

Em tempo: Sobre perguntas durante o trabalho, isso daria outro post, mas vamos resumir. Sou funcionário público estadual, o que significa que são os impostos de cada cidadão matogrossense que pagam meu salário. E isso inclui você. Mas isso não lhe dá o direito de me importunar durante minha jornada de trabalho, querendo que eu resolva o seu problema e de graça…

Antes que comecem a me bater, não sou antipático. Sou sucinto…

Abraços galera!!

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