TOP

1º Encontro do SPB – 1º dia

De 27 a 30 do mês passado estive em Brasília participando do 1º Encontro do Software Público Brasileiro. Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer ao Guto Carvalho, que proporcionou que eu ficasse hospedado em sua casa e de quebra me ensinou a andar de “zebrinha”. Agradeço também ao Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Sr. Francisco Tarquínio Daltro que viabilizou as passagens aéreas e também ao Coordenador Regional do campus de Sinop da UNEMAT, o professor Rodrigo Bruno Zanin, que concedeu as passagens para o trecho Sinop – Cuiabá. Sem a compreensão e o esforço dessas pessoas certamente não seria possível a participação nesse evento tão importante.

Vou tentar elencar aqui em ordem cronológica, as palestras e oficinas das quais participei e minhas impressões e opiniões sobre elas. Na verdade, depois que fiz minha inscrição, houve uma alteração na grade do evento, sendo que nos dias 27 e 28 aconteceu o Encontro Nacional de Tecnologia da Informação para os Municípios.

Para que o post não fique muito longo e cansativo de ler, vou dividir em quatro partes, uma para cada dia do evento.
Primeiro dia, 27 – terça-feira

1 – Prefeitura Livre: Apresentação

O Prefeitura Livre consiste em uma série de softwares que unem, dentro de uma prefeitura, as TICs e o geoprocessamento. Foi inicialmente desenvolvido pela empresa OpenGEO com financiamento da FAPERJ e da FINEP. As tecnologias utilizadas são livres, sendo que para a área de geoprocessamento foram adotados os padrões OpenGIS e para os demais sistemas foram utilizadas ferramentas livres como PHP, CakePHP, PostgreSQL e PostGIS como pode ser verificado na página sobre a visão geral do sistema. É muito importante salientar que todos os subsistemas estão em conformidade com o e-PING, que é o Padrão de Interoperabilidade de Governo Eletrônico.

Até bem pouco tempo atrás, TIC e geoprocessamento eram vistos de forma separada e independente e normalmente a área de geoprocessamento era vista como algo muito exclusivo, onde somente as pessoas daquele setor podiam ter acesso. Por definição, “o geoprocessamento é um conjunto de ações que possibilita a inclusão de inteligência geográfica aos processos de uma instituição”. Ou seja, geoprocessamento é muito mais que uma forma de visualizar mapas. Mas o geoprocessamento se torna muito mais útil e mais acessível quando torna-se possível combinar dados provenientes de Cadastros Técnicos Multifinalitários (CTM) em camadas bem definidas no mapa. Como uma imagem vale mais que mil palavras, olhem o que a Prefeitura de Dourados oferece no portal Geodourados. Os demais serviços estão disponíveis internamente para os funcionários da prefeitura aqui.

Tá, mas o que isso muda caso seja implantado na sua cidade? Muita coisa, mas principalmente a facilidade de tomada de decisões, através da visualização de dados que antes eram listas e planilhas, agora de forma georreferenciada. Quanto custa? Depende de muita coisa, mas pricipalemente se seu município já possui um CTM e uma base cartográfica decente, preferencialmente numa proporção de 1:5000.

A grande vantagem é que se comparado com soluções proprietárias, é você que tem o controle de tudo e sem custo de licenças, pois a solução está licenciada sob GPL.

2 – Caso de Sucesso: Joinvile, Fortaleza e Dourados

Se alguma prefeitura tiver interesse em implantar um sistema de CTM georreferenciado, sugiro trocar umas ideias com o pessoal de Dourados. O Carlos deu um panorama de todo o processo, desde o início até a disponibilização dos serviços, que consumiu cerca de 11 meses.

  • O primeiro passo é contratar uma consultoria, caso não exista na sua equipe pessoas capacitadas em CTM e geoprocessamento. A empresa contratada por eles foi a OpenGEO.
  • Um passo muito importante que normalmente é ignorado nos órgãos públicos, é a definição de um Plano Diretor, tanto para TIC quanto para geoprocessamento. Carlos enfatizou dar foco nisso, sobretudo no início, para que assim os trabalhos possam ser norteados e também para que todo o trabalho não se perca na troca de gestão, pois será tratado como Plano Diretor.
  • Levantamento de demandas. Isso deve ser feito junto às Secretarias do município, fazendo entrevistas e coletando as informações de cada um envolvido nos processos. Dependendo do tamanho do município, podem ser necessárias semanas de trabalho, mas valerá a pena.
  • Um ponto muito importante é a capacitação dos envolvidos no processo com o básico de GIS. Dessa forma eles terão o conhecimento necessário não somente para fazer os procedimentos, mas para compreendê-los.
  • Construir o Cadastro Único do Munícipe, que será georreferenciado e alimentará os demais sistemas do Prefeitura Livre de forma integrada.,
  • Depois foi contratada uma equipe de consultoria em desenvolvimento de sistemas. Só é necesário caso você não tenha uma ou quiser desenvolver mais módulos além dos já disponibilizados pelo Prefeitura Livre.

A Prefeitura de Dourados demorou 11 meses para efetuar todo o procedimento. Hoje o sistema conta com os dados georreferenciados de cerca de 200 mil munícipes e 60 mil lotes.

Como citei anteriormente, ter um Plano Diretor de TIC e de Geoprocessamento ajuda muito no processo. Se você não tiver a menor ideia de como fazer isso, sugiro a leitura do Plano Diretor de Tecnologia da Informação e do Plano Diretor de Geoprocessamento da Prefeitura de Fortaleza.

O atual Assessor de TI de Fortaleza, Cristiano Therrien enfatizou que sem um Plano Diretor, ficamos suscetíveis às ofertas constantes de fornecedores de soluções fechadas, que pretendem fazer o chamado “aprisionamento tecnológico”. No Plano Diretor é possível explicitar que os editais de contratação de produtos e serviços estejam em consonância com o e-PING por exemplo, priorizando dessa forma a adoção de soluções em código aberto.

Bem, infelizmente o representante de Joinvile não compareceu…

3-Prefeitura Livre – Encontro da Comunidade

Basicamente o que mais foi discutido foi a a utilização da Wiki do projeto como um repositório de ideias.  Estas serão tratadas como requisitos, indo para uma fila de prioridades. Houve certa confusão entre os presentes, pois alguns queriam uma integração entre o Prefeitura Livre e o recém-lançado e-Cidade. Particularmente eu defendo que cada solução seja independente, cabendo ao usuário escolher a que mais se adapta às suas necessidades. Mas também considero que plugins de importação e importação seriam bem vindos nas duas soluções, ou nas que possivelmente surgirão.

Na oportunidade foi lançado o módulo Educacional que em breve deverá estar disponível para download.

O Prefeitura Livre é sem dúvida uma ferramenta excepcional. Agora ela tem um concorrente, o e-Cidade, da empresa DBSeller, mas eu não participei de nenhuma palestra a seu respeito.

No próximo post vou falar sobre

  • InVesalius, um software para visualisação 3D de imagens médicas;
  • i3Geo, uma solução de geoprocessamento do MMA;
  • Uma breve ideia do Ginga, o middleware da TV Digital brasileira e do
  • SGA-Livre, um sistema de gestão de filas desenvolvido pela Dataprev.

Até a próxima!

1 comment. Leave a Reply

  1. Pingback: 1º Encontro do SPB – 2º dia | Ideias, pensamentos e ideais

Leave a Reply

Your email is never published nor shared.

You may use these HTML tags and attributes:<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong> <pre lang="" line="" escaped="" highlight="">