Se você trafega pela BR-163, no norte do estado de Mato Grosso, vai notar que existem placas azuis sinalizando a existência de cabos de fibra óptica a cerca de 1 metro de profundidade. O aviso é para alertar os agricultores, empresas de outdoors e outros, que é necessário muito cuidado ao realizar escavações no local, sob o risco de rompimento da fibra e consequentemente indisponibilizar produtos essenciais como internet, interligação de redes corporativas, telefonia interurbana fixa e móvel para todo o norte do estado. A situação é crítica pois não há ainda nenhum outro backbone de redundância para essa região. Então se a fibra é rompida na região de Nova Mutum, por exemplo, a partir daquela cidade todas as demais ao norte ficarão sem os serviços mencionados.
É óbvio que isso deve causar prejuízos enormes para vários setores como cobranças, entregas, financeiras, etc. Os comentários que ouço quando isso acontece são, na sua maioria, lamentações de algo que parece ser inevitável. “Paciência né…”, “Que coisa, rompeu fibra de novo? Bom, vou pra casa então..”, “Como que rompe isso?”. Essa última pergunta sim, deveria ser respondida. A operadora paga um aluguel ao governo federal para usar o trecho de terra para a passagem da fibra. Esse trecho NÃO DEVE ser utilizado para outros fins, mas infelizmente se depender da ganância dos agricultores do nosso estado, eles plantam até no asfalto. É no preparo do terreno que acontecem os rompimentos. Implementos agrícolas como arados e grades atingem a fibra literalmente destroçando trechos inteiros. É devido a essas múltiplas quebras no trecho que o reestabelecimento do serviço normalmente demora no mínimo 4 horas. Bom, aí a equipe técnica se desloca até o local, faz as emendas necessárias e tudo volta ao normal.
Mas e o fazendeiro, é notificado? Ele paga alguma multa? Se paga, essa multa é de que valor? Será que essa multa, se cobrada, não é muito baixa fazendo com que ele pouco se importe se romper novamente? No dia 7 de julho uma empresa de outdoor rompeu a fibra acidentalmente. Ora, claro que foi por acidente! Ninguém em sã consciência vai se deslocar quilômetros, escavar um buraco e romper um lance de fibra. Mesmo que seja um vândalo, é muito trabalho. Mas não é essa a questão, mas sim quais são as medidas jurídicas tomadas contra quem provocou o acidente. Se não houvesse nenhum tipo de sinalização, até poderíamos compreender, mas são várias placas ao longo da estrada.
Penso que seja dever do poder público fiscalizar melhor e punir severamente os responsáveis por esses acidentes, pois no mundo digital de hoje a falta desses recursos provoca prejuízos as vezes incomensuráveis.