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Começo do recomeço

Qual a melhor maneira de se começar um novo ano? Muita gente se faz essa pergunta. Uns decidem fazer uma dieta, outros querem parar de fumar ou de beber. Ou então alguns resolvem que vão economizar 10% do salário pra investir em um veículo, ou nos estudos. Bom, eu conheço muita gente que tem um blog, e muita gente que gasta um bom tempo mantendo seus blogs. Quando a onda dos blogs chegou pra valer, eu pensava: “que perda de tempo…o que leva essas pessoas a ficar escrevendo essas coisas?”. Acontece que o que eu não sabia é que niguém mantém um blog se não tiver um motivo real, mesmo que seja o motivo mais banal do mundo pra você, pode ser o único e mais importante motivo pra ela. Ora, eu não tinha motivo algum pra ter um blog, então porque teria um? Aos 18 anos de idade, desiludido com o governo Collor e indeciso se iria cursar um faculdade no Paraná ou em São Paulo, tomei uma decisão radical e fui para o Japão e lá permaneci por 11 longos anos. Trabalhei duro, ganhei muito dinheiro, não guardei quase nada. Estava conformado com vida na terra do sol nascente. Tinha conforto, conheci Helena com quem me casei (e continuo casado até hoje), e tive filhos. Lucas e Victor nasceram lá, e Bianca aqui no Brasil, apesar de ter sido “encomendada” lá. Enfim, tinha uma vida muito confortável, fruto de muito trabalho, é claro. Mas chega um momento em nossas vidas em que precisamos definir um rumo, e no Japão meu rumo era incerto. Na adolescência me lembro que nas conversas em que falávamos sobre os medos de cada um, o meu medo era de nunca ter a oportunidade de fazer algo importante. Esse era um pensamento que me atormentava. Até que em 2002 várias situações me trouxeram de volta ao Brasil, e aí começa o recomeço. Tudo era estranho, as pessoas, os hábitos, as ruas. Mas aos poucos fui me re-adaptando e em maio de 2003 consegui emprego na UNEMAT e aos poucos comecei a conhecer o mundo da educação e posteriormente, do GNU/Linux, dos conceitos sobre Software Livre e Inclusão Digital. Comecei a ver a importância que o acesso às mídias digitais tem nas vidas das pessoas menos favorecidas. Comecei a perceber que, o que para alguns é ítem de entretenimento, para muitos é a única forma de se integrar. E foi então que percebi que era isso o que eu queria. Ajudar as pessoas, ensinar aprendendo, aprender ensinando. Democratizar o conhecimento sem distinção de classe social, de credo, de cor ou de qualquer outra coisa. O Software Livre proporciona isso e muito mais. Proporciona para mim, a possibilidade de fazer algo importante. Agora eu tenho um motivo. Vou começar o ano fazendo um blog.

1 comment. Leave a Reply

  1. e ai caro amigo rui,como se ta.vc nao teve aqui no japao.se vc for a mesma pessoa que lembro e aquele que trabalhou na orvis e que eu encontrei em gunma.

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